sábado, 28 de janeiro de 2012

Michel Teló encontra Angela Ro-Ro

Fossa, fossa
Assim você me mata
Sai, não te quero. Sai, sai não te quero

Preguiça, preguiça
Assim você me mata
Sai, não te quero. Sai, sai não te quero

Sábado sem balada
A soneira começou a pesar
E nem vi a menina mais linda
Na vadiagem resolvi me deitar

Fossa, fossa
Assim você me mata
Sai, não te quero. Sai, sai não te quero

Preguiça, preguiça
Assim você me mata
Sai, não te quero. Sai, sai não te quero

Sábado sem balada
A soneira começou a pesar
E nem vi a menina mais linda
Na vadiagem resolvi me deitar

Fossa, fossa
Assim você me mata
Sai, não te quero. Sai, sai não te quero

Preguiça, preguiça
Assim você me mata
Sai, não te quero. Sai, sai não te quero

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Letra: Ayrton baptista Junior, 28 de janeiro de 2012.

sábado, 5 de março de 2011

Os Bobos...: Shakespeare com algodão doce

Quanto menos você perguntar o que se passa em Os Bobos de Shakespeare melhor. O lúdico monólogo que o excelente Thadeu Peronne desenvolve em teatros e escolas é estranho a muitos adultos, mas, embora não seja infantil, é claríssimo a quem os degusta sensitivamente: as crianças.

O encenador Laércio Ruffa e o roteirista Edson Bueno costuram os personagens do autor inglês com luz mínima (do belo cenário de Paulinho Maia) e leveza de algodão doce. Quer entender melhor? Esqueça Shakespeare!

Perrone é um andarilho de idade incerta que se apropria de um baú tentando desvendá-lo. Sua curiosidade é alimentada por uma marionete imaginária. Juntos na voz do ator, ambos criam um lúdico e (intencionalmente) ininteligível diálogo que acentua a infantil curiosidade dos personagens.

A seguir, o monólogo traduz o catatau de personagens (Romeu, Otelo) para o carioca esperto, o bêbado, o cirandeiro músico nordestino, o apaixonado. Ao se despedir destes tipos, Perrone encontra a caveira que conversa com Hamlet e retoma o novelo que o conduz novamente ao andarilho.

Fiapos de outros teatros vêm à cena em Os Bobos de Shakespeare: os cabarés de A Dama da Noite e HamletMachine; a tradição nordestina (Solte o Boi na Rua) das peças de Ailton Silva, o “Caru”; e o marionete europeu adulto-intimista.

Há também saudades televisivas dos anos 80. Os primeiros movimentos têm os pés no videoclipe Thriller, um clássico de Michael Jackson: o ator-arlequim surge da fumaça com as pernas milimetricamente arqueadas. Há ainda o deboche politicamente incorreto de TV Pirata (citação à Stevie Wonder).

Com um perfeito domínio do teatro físico (rigor de todos os movimentos do ator, do pescoço ao tornozelo) e sem criar qualquer intervalo na passagem de um personagem para outro, Tadeu é um catalisador de extremos: o drama e a comédia; a vanguarda e o estabelecido; o popular interiorano e a metrópole sofisticada.

Se você é educador e confia na inteligência de seus alunos dê uma chance para Os Bobos de Shakespeare.

(Ayrton Baptista Junior)

Os Bobos de Shakespeare
Monólogo com Thadeu Perrone
Montagem da Serial Cômicos
Roteiro de Edson Bueno
Direção de Laércio Ruffa

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Escrito em 2007, para o Curitiba Interativa.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Quando Belarmino e Gabriela ouviram rock

“As mocinhas da cidade são bonita e dançam bem”

(Mocinhas da Cidade, composição de Nhô Belarmino, 1959)


As mocinhas da cidade são bonitas, dançam bem e são ignoradas. Em 1993, a prefeitura de Curitiba fincou o Conservatório de MPB no Largo da Ordem e muitos dos agentes ali instalados apenas repetiram caminhos já consagrados do que é Música Popular Brasileira: Noel Rosa, Dorival Caymmi, Cartola, Pixinguinha, Tom Jobim, Chico, Caetano, Gil, etc...

A dupla Nhô Belarmino (1920-1984) e Nhá Gabriela (1923-1996), referência básica da cancão curitibana, ainda não se fez dona desta casa talvez porque falte a percepção de que a música feita aqui jamais terá vez nos bailes afora se não ofertar uma gritante originalidade. Então, que Curitiba sirva uma... pororoca da canção do Batel com a sonoridade do Boqueirão!

Não peço aqui uma passeata que ordene a execução de Mocinhas da Cidade e, tampouco, sua imediata aceitação. Só quero que ela seja ouvida, vomitada, incorporada e agredida. Por isso, sugiro uma radicalização da música urbana quanto à Mocinhas e suas descendências periféricas-rurais: ou a adoração feito lua-de-mel ou a alucinada sangria com tiros à queima-roupa. Os dois caminhos hão de tornar a música de Curitiba mais urgente e vibrante, pois técnica e bem aplicada ela já é.

A pergunta não é “qual a banda de rock que vai explodir nacionalmente” (como se a modernidade apregoada em Curitiba ficasse mais lustrosa por conta do rock), mas “onde andam Campinho e Campeiro?”. O pop de Recife incorporou o maracatu. A moderna música de Porto Alegre não quer ser vanerão. Adotado ou escorraçado, o regional foi escutada e serviu para apontar uma estrada diferente da trilha de Londres, Berlim ou São Paulo. Uma estrada que até cruza com a das metrópoles, mas com legítima via própria.

(Ayrton Baptista Junior)


Escrito em 2005.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

No viés da cortina escura

Meu mundo caiu na primeira faixa do lado A...

... entre recortes de jornais amarelados dos tempos (todos) em que não sorrimos.

... podando do claro o avanço do viés da cortina escura no escape da janela.

... no desconforto de um novelo de roupas amontoadas que absorvem duas laudas inteiriças e uma terceira a ser preenchida de um escrito que vomita à lógica.

... e na estampa de um gênio em transe na capa de um livro.

... e na imagem de mulheres e homens que sonhavam de faixas e sandálias e gritavam abaixo e contra.

... num imaginário armazém de cabeças de senhores encastelados e cortados sob a violência que destila um vermelho expresso de sangue no taco descolado do piso que se alimenta de pó.

... no redemoinho da memória de um pátio de escola frustrado por não ser quartel.

... entre xícaras de café tomadas pelos dias e pelas moscas.

... dentro de um pacote de supermercado que gruda extrato de margarina e pães de meses.

... e num pedaço de papel amassado onde o tingimento azul da caneta mais barata escreveu o nome composto da menina mais bonita.

... envolto no grito não gritado de farra farsa de cidade que brada Europa.

... e na ânsia de querer ver extraditada uma unha.

... e no medo do revolto dragão desenhado em página dupla.

... desesperado por não ter partido a cabeça numa corrida contra a parede branca e consciente de que não será iluminada.

... sem forças para pesquisar uma faca entre pilhas gastas e moedas em desuso.

... na ausência da coragem para que o pulso sirva à lâmina.

... no arrependimento de não ter sido a palavra final da discussão.

... na diplomacia de não ter cuspido, cunhado e grunhido um palavrão.

... na fisionomia de acomodado que finge aceitar: é assim.

Meu mundo caiu na fraqueza do abrigo que ceifa a mão quando ela é desejosa por abrir a cortina.


(Ayrton Baptista Junior, 1999)

segunda-feira, 12 de julho de 2010

O dia em que Isabelle Huppert (enfim!) me conheceu

Em 1991, fui ao cine Luz, aqui em Curitiba, ver Um Assunto de Mulheres, filme de Claude Chabrol, e saí encantando com a atriz Isabelle Huppert, da qual nunca ouvira falar.

Desde então, tal como já fizera embalado pelas também francesas Miou-Miou, Isabelle Adjani, Sandrine Bonnaire e Beatrice Dalle, fui atrás de tudo o que pudesse ver com a moça, cujo nome pronunciava de forma errônea: "Uperti".

Vi de uma ponta em Dois Aventureiros e uma Mulher à Mulheres Diabólicas, com Sandrine, Amor à Primeira Vista, com Miou;
Um Amor Tão Frágil, Loulou, com Gerard Depardieu, A Professora de Piano (outra magnífica atuação!), Salve-se Quem Puder — A Vida, com Nathalie Baye e outros tantos (filmes de Chabrol, Michel Deville, Bertrand Blier, Diane Kurys, Jean-Luc Godard, Michael Haneke) e cismei que um dia conheceria aquele mulher. Imaginava até uma peça de teatro com as minhas musas.

Pois não é que em fevereiro de 2003 a Bebele veio mesmo? Peguei um ônibus, fui a São Paulo, mas não consegui entrar no teatro SESC Consolação. Lá fora, conversei com um, outro, até que cheguei a produtora, graças ao motorista que transportava a atriz. Mostrei algumas fotos que tinha dela, cuja discrição não me surpreendeu. Falei em português mesmo (citando nomes de filmes, atrizes) ela deu algumas risadas e foi embora, pois uma recepção a esperava no Consulado.

Na rodoviária, chorei: encontrei não apenas uma atriz francesa, mas justamente a atriz que eu queria conhecer e que já a considerava a maior 12 anos antes. Conclui que se o mito e a fantasia chegaram tão perto, não havia porque criar tanto impasse na vida real.

Escrito em 2006.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Meus Grandes Fracassos da Minha Humanidade-II

“Ah se tu soubesses como sou tão carinhoso” tu dirias que faço propaganda enganosa.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Máxima mínima

Há diamantes na vitrine e no cofre. Nenhum tão reluzente quanto o que depositamos na alma.

(Ayrton Baptista Junior)

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Máxima mínima

Um final infeliz é apenas o início do próximo final feliz.

(Ayrton Baptista Junior)

domingo, 9 de maio de 2010

Montanhas

Viver é escalar montanhas. Quando chegamos ao topo de uma, logo avistamos outra. Há risco de queda. Porém, nada que arranhe os valentes. É que estes admitem perder, mas jamais não lutar.

(Ayrton Baptista Junior)